A minha falta de paciência com campanhas de meia tigela vem crescendo progressivamente. Ou talvez as campanhas de meia tigela tenham se proliferado de uma maneira espantosa, reduzindo ainda mais a minha paciência, que sempre achei ser inesgotável.
Evidentemente, não vou perder meu tempo com estultices do tipo "Cansei" ou essas manifestações pseudopolíticas em que o pessoal só vai pra paquerar mesmo. Ou no máximo, para contar pontos na eleição para o grêmio estudantil ou o diretório acadêmico da faculdade. Melhor falar das "campanhas globais".
Esse negócio de "Dia Mundial sem Carro", ou algo que o valha, é a coisa mais imbecil que eu vi desde o dia em que o Max Gehringer resolveu desfilar sua sapiência corporativa em todos os meios de comunicação possíveis. Em todos os cantos do mundo, imbecis de todas as formas fazer campanhas para "deixar o carro em casa". Em São Paulo, manés estendiam tapetes no meio da rua e garantiam as fotos do dia nos jornais.
Vamos fazer a conta: um dia sem usar carro, certo? O ano tem 365 dias (ano que vem terá 366). Logo, você vai ficar 364 dias usando carro, né? Realmente faz uma diferença brutal pra humanidade ou pra esta birosca de planeta ficar um dia sem usar carro, não? No dia seguinte, como sempre, as famílias vão sair com seus três ou quatro carros pela rua, talvez até pro mesmo lugar. Metrô? Eca!
Na minha condição de criatura que nunca foi lá muito fã de carro e que só resolveu aprender a dirigir aos 30 anos por necessidade extrema, me sinto inteiramente à vontade pra dizer que por mim, vivia sem carro por vários anos a mais. Sempre preferi me locomover de metrô e, se essa a rede metroviária de São Paulo fosse um pouco mais extensa, ia facilitar muito a minha vida. E de um monte de gente. Mas acabei me mudando pra um lugar um pouco mais longe, onde o carro se tornou fundamental.
Mas nem por isso fico nessa de "dia sem carro", "vamos guardar o carro na garagem" etc. Quem tem carro tem mais é que usá-lo.
Acho engraçado que ninguém fala em campanhas para reduzir de fato o número de carro nas ruas. Por exemplo: juntar um grupo de pessoas que vão pro mesmo lugar em um único carro. Também não vejo famílias anunciando que vão vender dois ou três de seus carros e ficar apenas com um. É mais fácil fazer o sacrifício de ficar um longo e sofrido dia sem carro.
Por isso, mané, se você está a fim de aderir a uma destas campanhas humanitárias, tenho uma boa sugestão: vá a Mianmar (ou Mianmá, tanto faz) e peça a realização de eleições gerais no país. Não precisa de muito espalhafato, não. Basta aprender o idioma local e proferir uma ou duas frases de efeito. Não precisa nem chamar ninguém pra te acompanhar. A publicidade estará garantida por uns bons anos.
Entre comerciais do disco acústico de Sandy e Júnior, polêmicas sobre o drible "foca" do Kerlon no clássico mineiro e comentários batidos sobre o caso Renan Calheiros (nem vou comentar a onda de "protestos" que rola por aí), passa batido pelo noticiário o caso do "mensalão mineiro". Pra quem não sabe, a Polícia Federal vem investigando os indícios de que, muito antes do PT assumir a presidência, o valerioduto já operava em Minas Gerais, e que o negócio chegava até ao governo do Estado. O que se viu na esfera federal seria um "prolongamento", de algo que já acontecia há muito.
Não vou aqui fazer defesa de petistas, até porque a idéia não é essa. Aliás, quero que metade daqueles cornos morra. Mas vale perguntar: por que diabos a grande Imprensa não faz barulho a respeito do caso? Por que não está na capa da revista Veja? Por que a Globo não destina matérias de cinco ou dez minutos ao caso? Por que a OAB de Minas não organiza um movimento "Cansei" contra os políticos de seu Estado?
Tentei publicar um quadro aqui, mas não deu. O jeito é descrever, mesmo.
O quadro acima é a reprodução de uma simulação, divulgada na imprensa sobre como estaria a classificação do Campeonato Brasileiro hoje se não houvesse a série de erros tendenciosos da arbitragem em uma porção de jogos. Se não fossem as várias interferências do trio de arbitragem no resultado do jogo, o São Paulo estaria apenas com 42 pontos, um à frente do Cruzeiro, e com um jogo a mais. O Botafogo estaria com o mesmo número de partidas dos bambis, mas com um ponto a menos. Palmeiras (40) e Vasco (39) viriam logo atrás com chances de lutar pelo título, assim como o Santos (36), que estaria em sexto lugar.
Acho que, por conta disso, seria bem melhor esquecer esse campeonato e entregar logo a taça pras bibas. Afinal de contas, todos nós sabemos que são-paulino detesta futebol, este é o segundo requisito para se torcer para este time (o primeiro, como todos sabemos, é dar o cu). Por isso, elas nem ligariam se o campeonato acabasse agora.
E a falta de segurança?
Se a cobertura política na Imprensa brasileira está uma vergonha, infelizmente as coisas não mudam muito quando o assunto é esporte. A cobertura tendenciosa dos jornais ficou clara nas últimas duas semanas, quando choveram críticas ao fato de o clássico entre Palmeiras e bichas loucas ter sido realizado no estádio Palestra Itália. O mesmo estádio que os bambis tentaram nos tomar em 42 e que hoje, vejam só, chamam de "acanhado".
Já explicitei aqui as razões que comprovam a segurança do estádio, mas pelo visto, ninguém sabia disso. Ou os jornalistas esportivos de São Paulo são muito burros para perceberem os fatos ou agem de má-fé, mesmo. A verdade é que no dia do jogo, a Folha de S. Paulo cometeu o disparate de gastar duas páginas para tentar provar (sem conseguir, claro) que o Palestra não era seguro. Providencialmente, evitou comparações com o Morumbi e o Pacaembu, dentre outras aberrações.
Pois. O clássico foi realizado, nenhum incidente ocorreu no estádio e, adivinhem, o fato passou despercebido pela imprensa esportiva. Apenas o Estadão destacou a calmaria que marcou o clássico.
Tivemos ontem outro clássico, desta vez no Pacaembu. Houve uma série de confrontos entre as torcidas. Tudo passou por brancas nuvens. E agora eu pergunto:
ONDE ESTÃO OS INTRANSIGENTES DEFENSORES DA SEGURANÇA NOS ESTÁDIOS?
A FRASE DO ANO DO DIA
"Em 15 anos, o Palmeiras teve apenas dois patrocinadores. Já o clube do Jardim Leonor, vive de fazer troca-troca" - De Gilberto Cipullo, vice-presidente de futebol do Palmeiras, em resposta aos são-paulinos sobre o clube ter perdido o patrocínio da Pirelli