FÁBIO MENDES

30 ANOS
JORNALISTA
CASADO


AMIGOS

ANGÉLICA
DENIS
ELISEU
EVALDO
FÁBIO
FÁBIO SHIRAGA
FERNANDO
INGRID
MAITÊ
MARITAN
MARY JO
PAULO F.
RANDALL


ACESSE

MÁRIO BORTOLOTTO
BRANCO LEONE
OZZYMANDHAS
MALVADOS
CEMITÉRIO DE AUTOMÓVEIS
MÚSICA SOCIAL


ARQUIVOS


CRÉDITOS

SMTEMPLATES
BLOGGER BRASIL




Ora, pílulas

Sábado, Novembro 22, 2008

Pobre Wilson

A primeira coisa que fiz quando entrei no Via Funchal, para assistir ao show do REM foi olhar para o palco. Foi quando vi que já tinha uns negos tocando e cantando lá. E daí eu me lembrei: “Putaquipariu. O Wilson Sideral é quem abre o show. Tinha me esquecido”.
Para quem não sabe, Wilson Sideral é irmão do Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest. Noves fora o fato de não tocar em rádio alguma e não vender porra nenhuma de disco, ele tem a carreira parecida com a do mano: um dia achou que podia ser uma versão branca do Jorge Ben e, quando viu que não ia conseguir ser nem um Paulo Diniz, desencanou e resolveu fazer música ainda mais fácil, extremamente fácil (aliás, essa é dele).
E daí você pergunta: o que a porra do Wilson Sideral tem a ver com o REM? Bom, aqui no Brasil o Franz Ferdinand já abriu pro U2 e falam em James Blunt abrindo pro Elton John. Nem vou comentar o Erasmo Carlos, o Lobão e o Carlinhos Brown no Rock in Rio. Enfim, é tipo uma tradição, manja?
Pois. Evidentemente, todo mundo chiou, vaiou e aplaudiu (quando ele disse que era a última música). Mas eu, besta que sou, fiquei com pena do pobre.
Sim, pena. Imagine que você é músico, não anda lá com a bola muito cheia. Se bobear, anda num perrengue danado. Aí, do nada, um retardado liga pra você e te contrata pra abrir o SHOW DO REM.
Com certeza você pensa: “puta merda, meu som não tem nada a ver com os caras. O povo que vai estar lá não vai gostar. Vai ficar todo mundo com cara de bosta esperando meu show acabar”. Só que aí você pensa que tá duro, precisa da grana e de um pouco de visibilidade. E lembra que isso vai constar no currículo: abrir os shows do REM em São Paulo. Sem falar que você vai ser aplaudido pra caralho se avisar pro público que aquela música que vai tocar é a última. Bingo! Você aceita tocar no Via Funchal. Quem não aceitaria?
Agora, o que ninguém pergunta é o nome do gênio que teve a brilhante idéia de trazer o irmão do Rogério Flausino pra abrir um SHOW DO REM!!

Escrito por FÁBIO MENDES em 8:20 PM. Comments:

Terça-feira, Novembro 04, 2008

O amor, o fanatismo e a cegueira

O Brasil viveu 20 anos sob o jugo de uma feroz ditadura, que não só tolheu a liberdade de expressão, mas tentou, de todas as formas, sugar o senso crítico do brasileiro. Com uma maciça campanha publicitária, os ditadores de plantão trabalharam duro para exacerbar a paixão do brasileiro pelo futebol, até transformá-la num forte alienador das massas.
E, infelizmente, conseguiu seu intento: enquanto a sensacional seleção de 1970 dava shows nos campos do México, nosso povo continuava pobre e oprimido, mas ignorava seu sofrimento se deliciando com as primeiras transmissões via satélite de uma copa do mundo.
Os anos se passaram e o povo continuou vivendo no seu mundo encantado do futebol, talvez para fugir da dureza da vida real. E assim agiu o brasileiro, até descobrir, abismado, que seu universo paralelo era tão podre quanto aquele do qual fugira. O surgimento da máfia da loteria esportiva, as viradas de mesa, as jogadas de bastidores vieram à tona. Mesmo assim, o amor pelo futebol perdurava.
Muita coisa mudou no futebol desde então, mas a essência permaneceu: o brasileiro, este teimoso, insiste em amar o futebol e seu clube, mesmo com todas as dificuldades: partidas ocorrendo em horários proibitivos, graças às pressões das redes de televisão, ingressos a preços extorsivos, manobras sujas de bastidores, jornalistas aliciados por dirigentes.
A Imprensa esportiva, Infelizmente, não tem saído incólume dessa guerra. Mesmo tendo como missão mostrar o lado bom e o ruim do futebol, vários setores têm se calado, acuados pelo fanatismo cego de determinada facção de torcedores.
Perde o jornalismo, que luta para se manter imparcial, mas tem de baixar a cabeça para interesses clubísticos.
E perde a verdade, que continuará sendo varrida para baixo do tapete da notícia, como nos tristes anos de chumbo.

Escrito por FÁBIO MENDES em 4:25 PM. Comments: